Os antigos cronistas transmitiam a informação, colhida entre os índios, de que o Rio São Francisco se escondia num extenso túnel subterrâneo, antes de retornar à superfície, à altura da Cachoeira de Paulo Afonso.

Aproveitando o simbolismo da lenda, o sociólogo Abdias Moura escreveu um livro, a que deu o título de O Sumidouro do São Francisco (Subterrâneos da Cultura Brasileira), publicado no Rio de Janeiro pelas Edições Tempo Brasileiro, mostrando a natureza encoberta dos grandes conflitos que marcam toda a História do Brasil, mas sobre os quais alguns historiadores preferem silenciar, quando não interpretam de maneira capciosa, situando-se do ponto de vista do colonizador branco e, portanto, contra o índio exterminado ou desculturado e o preto escravizado e, depois da abolição, marginalizado.

[ Jornal do Commercio, 18.12.1985 ]